4ª feira do Livro de Capão da Canoa






A 4ª feira do Livro de Capão da Canoa, cujo slogan foi, neste ano de 2010, Literatura entre o Mar e a Lagoa, aconteceu na rua Pindorama, na cidade litorânea, entre os dias 27 de março e 04 de abril.
Na manhã do dia 30, a escritora Jacira Fagundes, atendendo convite da Comissão Organizadora da Feira, realizou oficina – A vez do conto –, que reuniu professores da rede de ensino municipal, alunos de segundo grau e público interessado.
“A vez do conto” visa expandir o interesse e a formação do hábito de leitura nas escolas públicas e particulares, com apoio no gênero de literatura– o conto – e sua forma mais reduzida – o mini conto.

Na ocasião, a professora Ana Rute dos Santos, participante da oficina e membro da Comissão Organizadora registrou as fotos do evento.

Sapatos, luvas e maledicências

Em tempo de campanha...sempre é bom lembrar...

Sapatos, luvas e maledicências

“Eu quero um sapato! Tudo sobre uma obsessão feminina” é o título que encontrei recentemente garimpando a livraria.A autora é italiana: Paola Jacobbi. De saída me surpreende que um livro que trate de sapatos como obsessão, consiga o fôlego de encher 136 páginas. Não é pouca coisa para um objeto singular, óbvio e despretencioso. O livro promete de tudo: curiosidades, fetiches, manias, consumidores, colecionadores, adoradores de sapato. A história remonta desde a fascinação do Príncipe por Cinderela, mais ofuscado pelo sapatinho de cristal do que pela bela figura da donzela.
Ela, a autora, justifica o tema: “o sapato apresenta uma enorme vantagem em relação à roupa. Você pode ser gorda ou magra, baixa ou alta, bonita ou feia, mas pode comprar todos os pares de sapatos que quiser”. Aqui o livro apresenta uma razão que me convence. Concordo, qualquer mulher concorda. Que alívio! Existe uma peça do vestuário feminino que independe da distância em que nos encontramos do padrão de beleza. E a gente não havia se dado conta. Aleluia!
Não é o caso da roupa em geral. A cada ano, a moda dita o que será moda. Nas cabeças dos estilistas, a figura da mulher etérea, pálida, translúcida, pernas longas, corpos quase desprovidos de quase tudo. Mulheres ideais que fazem a passarela da moda. Mas e as outras mulheres, a maioria? as que circulam fora das passarelas? Foi o aconteceu com as batinhas e blusinhas do último verão. Elas invadiram as lojas, delicadas, cobertas de fitas e rendas, lindas, umas graças. Mas para uma turminha muito restrita. As demais tiveram que ficar fora...da moda.
Lembro quando o jeans entrou para valer. Calças, bermudas, macacões, saias, jaquetas. Tudo de jeans, o paraíso. Parodiando a italiana, saí à caça: “Eu quero uma saia jeans!” Não calculei a distância em que me encontrava da normalidade. Aproveito para dizer que nem era tão grande, sou uma mulher nem magra nem gorda, comum, penso. Mas a balconista – não só aquela, fiz outras tentativas – me olhou como se eu fosse uma criatura imensa, disforme e mal intencionada. Algum tempo se passou até que a indústria entendesse que o investimento em peças de jeans em tamanhos que excediam o 38, poderia resultar em bom lucro.
Existe aquela expressão bem antiga, “serve como uma luva”, para referir-se às coisas que cabem com perfeição. No geral, as luvas costumam servir em qualquer mão. Espicha-se um pouco, encolhe-se outro tanto, e elas acabam servindo, mais ou menos justas, mais ou menos folgadas. Luvas são como sapatos. Roupa se veste. Luva se calça. Igual sapato. O dito popular se consagra ainda com maior rigor na questão da instabilidade política, da corrupção fermentando em diversos setores da vida pública, do descaso com os problemas cruciais do país. Temos presenciado acusações de todo porte, desrespeito, difamações, falácias, calúnias, escândalos. Temos convivido com extorsões, mentiras, roubalheiras, agiotagens, comodismo, falta de caráter e de vergonha na cara. E no governo hoje, parece que , senão tudo, quase tudo serve como uma luva para quase todos. Pode ser até que precise passar por algum ajuste, por um trespasse, valha-se de um desvio aqui e ali, mas com certeza, irá servir. Bem diferente da moda do último verão.
É uma lástima que a câmera na TV não aponte para os pés dos representantes do povo no Senado, na Câmara de Deputados, na de Vereadores, pés de todo este pessoal que está enchendo a imprensa pedindo votos. Seria interessante apreciar-lhes os sapatos justos, modelares, sóbrios, confortáveis, cômodos, de bom gosto e caros. Valeria para a italiana a chance de acrescentar outras 136 páginas em sua obra.

Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim...

Com alguns dias de atraso, desejando uma Feliz Pácoa!




Vai-se outro domingo de Páscoa. E as pegadas do coelhinho
em direção ao esconderijo cada vez menos visíveis


Às crianças, já não interessa a quantidade de ovos de chocolate que encontram nos ninhos no domingo de Páscoa – um ovo, dois ovos, três ovos, assim...
Sequer a cor viva, brilhante, os coloridos intensos dos ovinhos – azuis, amarelos e vermelhos também...
Menos ainda a canção que embalou dias e noites de espera, só aliviada no momento do encontro com o ninho, em que coelhinhos diligentes se incumbiram de encher na véspera, durante a calada da noite – Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim...
Somente depois de intensa busca, acompanhando ou não as quase imperceptíveis pegadas do coelho, é que curiosidade, surpresa e fantasia se misturavam à realidade. E então o ninho era ostentado com alegria, e tudo dava lugar ao encantamento.
As crianças de hoje, (exceção das bem pequenininhas que ainda não aprenderam o mecanismo peçonhento dos ovinhos de Páscoa) perderam este encantamento, o que, sem dúvida, é de se lastimar.
Entre as preferências destas crianças modernas estão, como nos revela a imprensa, em primeiro lugar, as marcas do chocolate, que necessitam ser famosas e disputadas através da mídia. Elas importam-se, mais do que com os novos ovos de chocolate, com os brinquedinhos ordinários escondidos em seu interior – pecinhas de montagem de algo desajeitado e vulgar, que geralmente são abandonadas devido à impossibilidade de encaixe ou mesmo por desinteresse momentâneo.
Para garantir que vocês – pais, padrinhos, tios e avós – façam a coisa certa, quer dizer, acertem nas marcas e nos pesos e ainda atentem com absoluta garantia, na observância do brinquedo surpresa que deverá constar no interior dos ovos, elas se fazem presentes em hora e local, substituindo os já não tão confiáveis coelhinhos da canção. Como exigentes investidores, conferem procedência, prazo de validade, vulnerabilidade de embalagens e decidem sobre a compra. A vocês – representantes financeiros dos coelhos – cabe o pagamento no caixa. Papai e mamãe, por receio de erro frente a seus pequenos, costumam concordar e sentir-se mais seguros com a interferência deles.
A surpresa, a busca, a curiosidade infantil e a fantasia que até aqui permearam as manhãs do domingo de Páscoa, que rumo tomaram? Provavelmente o rumo da indiferença. Porque a busca foi antecipada: aconteceu ali no super mercado, entre as muitas opções de peixes para a sexta-feira santa e de carnes para o churrasco de domingo; e o pouco de encantamento adquirido durante a transação ficou esquecido no carrinho, depois do caixa.
Ouso acreditar que talvez o afastamento destes e de tantos outros singelos rituais esteja concorrendo, junto a outras questões, para que alguns jovens e adolescentes de hoje, por solidão ou desencanto, tenham desistido, tão precocemente, da caça aos legítimos “ninhos de Páscoa” recheados de encantamento verdadeiro. E se atirem, inconsequentes, na busca de ninhos nefastos e infelizes, repletos de ovinhos recheados de brinquedinhos podres e mal encaixados.

Crianças com visão aprovam os livros acessíveis

                                                                                           Anna Júlia aprova A Escolha de Camila  ...