Aqui os leitores do blog poderão compartilhar com a literatura em paralelo às artes visuais. Textos, imagens, ilustrações, vídeos e experiências no campo da literatura e das artes em geral. Sintam-se à vontade para deixar perguntas e comentários. Toda apreciação será bem-vinda.
Exposição MINIARTE - 2014
A MINIARTE 2014, que inaugura sua exposição no sábado, dia 09 de agosto, na Galeria Duque, está focada na temática IDEAL.
São trabalhos de arte visual, em qualquer técnica artística, de pequeno formato - 18 por 18 cm.
Venho, ultimamente, me interessando por fotografia. Minha escolha recaiu sobre duas fotos tiradas em Porto de Galinhas, em julho do ano passado.
No Picasa, experimentei alguns filtros sobre as fotos até chegar a um resultado interessante. As cores, e principalmente a intensidade de luz sobre as águas, deram um valor de arte à fotografia.
Venho experimentando e manipulando imagens desta forma. É apaixonante.
Por fim, resolvi combinar as duas fotos, dispondo uma sobre a outra e o efeito ficou muito bom.
Então inseri na combinação a figura da deusa do sol, dando o conteúdo narrativo à foto.
Os caiaques buscam as águas. Elas oferecem perigo. E a deusa está ali alerta para proteção daquele que se aventura nos mares. IDEAL de vida, de aventura, de sonhos.
Jacira Fagundes - 2014
Sob a proteção da deusa
Meu conto selecionado para o PROSA na ESTRADA
Os ônibus intermunicipais vão circular com os contos selecionados no Concurso Prosa na Estrada realizado pelo IEL e AGES.
Quando viajarem pelo estado, e cansarem da paisagem por vezes monótona, leiam um dos contos, e depois recomendem para outros usuários das linhas de ônibus.
Tenham momentos agradáveis e BOA VIAGEM!
Quando viajarem pelo estado, e cansarem da paisagem por vezes monótona, leiam um dos contos, e depois recomendem para outros usuários das linhas de ônibus.
Tenham momentos agradáveis e BOA VIAGEM!
Por
uma pausa na solidão
Jacira Fagundes
Caminho pela casa e me contrai o
exagero de espaço que tenho para mim mesma. Na varanda, as plantas florescem e
se espalham pelos vasos que disponho aqui e ali; a cama de ferro em meu quarto
parece ultrapassar as medidas, assim coberta pela colcha de damasco, faz tempo
deixou de ser cúmplice de amores. Hoje é o lastro onde repouso meu corpo
solitário e o cubro para aquecê-lo do frio e da solidão, o que nem sempre
consigo. Olho o fogão preparado para a abastança – a velha chaleira com a água
a chiar, de repente chega alguém para o mate; a panela da sopa cozinhando os
legumes da horta; e o bule de café, concentrado e amargo, que é para temperar
conforme o gosto.
Mas não espero ninguém, porque hoje
é domingo.
Não há entrega de gás, e não vem bater o
carteiro, nem a moça da lavanderia, nem a mulher da faxina, ou o homem do
bilhete, ou a vizinha a pedir emprestado – “depois lhe devolvo, dona Eulália, a
tesoura de podar, o alicate, a peneira, um saquinho de baunilha que me faltou
para a sobremesa, o cravo, a canela, um comprimido, maldita dor nas costas...”
Sob a janela, não vêm importunar os
moleques e eu não vou alcançar as balas, as rapadurinhas ou o trapo velho para
limpar os machucados das brincadeiras violentas, ou o copo d’água que tantos me
pedem e por vezes fazem fila enquanto encho o copo e o primeiro esvazia e eu
encho outra vez e vem o segundo e aí por diante.
Na sala, a mesa se agiganta nesses
dias em que os nervos me trasbordam e parece desperdício estender a toalha na
ponta do móvel, acanhada – o prato, o cálice, o guardanapo, cada utensílio mais
unitário que o outro. Mesmo assim, me sirvo o almoço, como requer a etiqueta.
Gostosa essa sopa, me anima e conforta. Sorvo o vinho, a garrafa recém-aberta,
e me farto do sabor agradável descendo pela garganta. Fecho os olhos e percebo
ainda mais agudo o silêncio. E então torno a abri-los, tomada por esse desejo
passageiro e fantasioso – vontade que me façam companhia os sons amados, e que pratos
e cálices espalhem-se, lado a lado, por toda a extensão da mesa posta.
“A luz entra escandalosa pela janela
escancarada. O burburinho e o atropelo enchem a sala de euforia. Detenho meus
olhos em cada um e ao mesmo tempo – nos homens da minha vida. É uma refeição intermeada
de palavras soltas e despretensiosas, de dentes à mostra e de barrigas fartas.
Uma vez ou outra uma risada à-toa, um derramar de líquido na toalha, um
derrubar de talheres e um safanão entre irmãos.
Sirvo agora o homem velho à cabeceira –
meu pai. A mão trêmula entornou o molho e já os netos apontam o avô em meio a
risadas. Afago as cabeleiras cacheadas de meus pequenos e a cabeça branquinha de
meu pai, rala de fios.
E vão chegando os convivas. Então, à
minha frente, celebro a presença do pai de meus filhos, tal qual foi em tempos
passados. Ao lado dele, os filhos, já então crescidos e senhores de suas
vontades, não necessitam baixar os olhos quando o pai fala porque a voz do pai
é branda e há sentimento e verdade naquilo que diz.
Hoje é outra vez domingo, e eu faço de
conta?
Ao redor da mesa, o irmão encara o irmão
com agrado sem precisar defender-se a cada observação. Os mais velhos perdoam,
nos mais novos, a audácia, o ócio, o descaso e a pressa. Os mais jovens se
enternecem com a paciência, a conformidade e o desânimo que assaltam os mais
velhos. Numa sintonia, todos falam e todos escutam e apreciam as mesmas músicas
e riem das mesmas histórias. Nessa mesa em que é servido o Banquete de Platão,
todos são doutores e aprendizes. Aqui flui a amizade entre o pai e os filhos,
os netos e o avô; e a alegria não será perturbada e não surgirá desavença e não
haverá alguém que se afastará com rancor.
A um só tempo reparto o pão e meu sonho
de liberdade, deito o vinho nos cálices e abençoo os convivas. Ouço meu pai
recitar uma prece e, quando ele termina, acaricio seu rosto. Olho o pai de meus
filhos e a cumplicidade que se constrói dispensa palavras. E eu sinto que bom
ter chegado até aqui e poder reunir os meus, depois que amassei o pão e
amamentei e lavei a roupa suja e após pendurei no varal e preparei a refeição e
deitei na rede e me entreguei ao descanso. E acariciei o amado e velei seu
sono, e castiguei o filho e lhe sarei a ferida. Lembro as coisas passadas e
vejo o ontem com o olhar do hoje e não peço perdão pelas ações de antes porque
sei que há muito foram perdoadas.
Hoje é outra vez domingo e eu alcanço a
possibilidade do voo.
Porque é assim que reúno o que restou
dos meus, e só o faço uma vez ou outra. Antes que se esvaziem os lugares na
mesa, agradeço a cada um pela sensação de conforto que me traz a proximidade
assim repentina e manifesto a felicidade que tive com a chegada e que devolvo
agora com a partida. Ao se despedirem, saibam todos, que a serenidade sempre me
volta nessas horas. E que, outra vez, sinto na face, o frescor do vento, e
caminho sobre as pedras e sobre a grama com a mesma desenvoltura.”
E, quando tudo tornar a ficar como antes
é porque cada um voltou ao seu lugar e isso é muito bom, eu sempre acabo
afirmando.
Quer ganhar o livro "Um garoto bom pra cachorro"?
Vou deixar um pequeno trecho do início da história de "Um Garoto Bom pra Cachorro"
A partir daí, me envie um texto de , no máximo 10 linhas, que você acha que poderia ser a continuação desta história.
O texto mais próximo da continuação da história ganha um livro.
Ao enviar seu texto, registre no comentário, deixe nome e endereço para o envio, caso seja você o ganhador.
Ou envie para o email: jamafag@terra.com.br
Foi
só João Vítor sair, como sempre, com o bastão atrás da shih tzu de Mirela, para que os outros cachorros entrassem aos
trambolhões na correria. Mas aquele dia, Pedro, Leleco e Mirela não esperaram
João Vítor voltar da brincadeira. Levantaram do banco – contrariados – e foram
se afastando, iniciando a volta pra casa.
Mirela foi a primeira
a falar, assim que João Vítor e a cachorrada se juntaram ao grupo.
– A gente tem uma
proposta pra te fazer, João.
– Uma proposta?
– É, uma proposta.
Nós amamos os nossos cachorros, mas achamos que esta história de trazer pra
passeio com horário, soltar eles na praça, e pior, limpar cocô, dá trabalho e é
muito chato. E a mãe do Leleco, e a do Pedro e a minha mãe falaram que, se o
Leleco não tomar conta do Sultão, o Pedro não tomar conta do Fiel e eu da Balli,
elas vão entregar nossos cachorros pra adoção.
– Ah, isso não pode
acontecer, temos que encontrar um jeito.
– Pois nós já encontramos,
João. É esta a proposta: a gente quer te pagar da nossa mesada pra que tu tome
conta dos nossos cachorros.
– Sério?
– Sério. Tu aceita? Amanhã
tu pega o Sultão, o Fiel e a Balli com a gente. E nos devolve depois do
passeio, das brincadeiras e da limpeza dos cocôs. Então tá combinado.
Um Garoto Bom pra Cachorro na 17ª Feira do Livro de Gramado
Vou estar autografando meu novo livro infantil na 17ª Feira do Livro da cidade de Gramado.
O
evento, que será precedido por apresentação ao público, será no domingo, dia 15
de junho, às 16 horas.
Outra vez no município onde costumo circular com bastante
regularidade, volto com a obra infantil – Um Garoto Bom pra Cachorro.
Uma
história emocionante numa troca de ternura e aprendizagem entre um menino
sensível e os cães a seu cuidado.
Ainda sobre crianças, cachorros e lembranças.
Fabrício, aos 07 anos, com Balli, dentro de um caixote
Em breve
UM GAROTO BOM PRA CACHORRO
Uma história que vai emocionar grandes e pequenos
leitores.
Uma troca de confiança, ternura e aprendizagem entre
cães e um menino sensível e paciente com animais.
Inspirado na figura da cadelinha Balli, que deixou
saudades, pela docilidade e candura.
Um novo infantil está chegando - UM GAROTO BOM PRA CACHORRO no prelo
SOBRE CRIANÇAS E CACHORROS
Antes de dar início ao relato, quero esclarecer que
não sou cachorreira. Amo cães, respeito-os na sua condição de animais; mantenho
com eles um convívio afetivo quando encontro-os em casa de familiares e amigos.
Mas não os tenho sob minha responsabilidade, dividindo o espaço do meu
apartamento. Até porque acho (não me critiquem, por favor, é só uma opinião)
que apartamento não é lugar adequado para cachorros.
Convivi com cães na infância. Havia um linguicinha de
nome Lulu na casa da minha avó Rosa. E na minha casa, o Jolie era festa e
turbulência o dia inteiro. Falavam que os animais da raça fox tinham disritmia.
Eu não só acreditava na época, como ainda acredito. Mas parece que a raça foi
extinta.
Jolie tem lugar especial nas minhas memórias. Nasci a
caçula da casa, raspa do tacho depois de cinco irmãos. Com exceção de uma, os
demais entre a adolescência e a idade adulta.
Costuma sobrar alguns compromissos infalíveis para os
mais moços. Sobrou para mim, por exemplo, acompanhar minha mãe todas as
quintas-feiras, pela manhã, nas feiras livres que aconteciam na nossa rua.
Nessa ocasião, a porta de casa deveria ficar
totalmente cerrada, inclusive uma pequena portinhola com grades, no alto da porta à altura das mãos, e que era
fechada com um trinco por dentro. Tínhamos o cuidado, eu e minha mãe, de
verificar se o trinco da portinhola estava fechado, mais por causa do Jolie.
Saíamos então, eu e minha mãe, carregando sacolas em
confiança, rumo à feira, na esquina da rua.
Só que, após nossa saída, alguém – sempre há alguém
culpado nas histórias – saía e, não sei por qual razão, abria e não fechava a
dita portinhola com o trinco.
Todos da casa conheciam o processo: Jolie se punha em
alerta, se afastava um pouco para preparar uma primeira voadora e aí
escancarava o vidro da pequena abertura. Dava uma segunda voadora e,
comprimindo-se entre uma grade e outra, ganhava a rua.
Eu o avistava da esquina e me dava vontade chorar. Jolie
corria atropelando as pessoas na feira; pulava para dentro dos sacos de batata,
de feijão e de cebola. Abocanhava salames e toucinhos dispostos nas bancadas. Acuava
para os feirantes com estardalhaço. Estes, preferiam a presença do diabo à
presença daquele cachorro perturbador. Era
imperioso levar o Jolie de volta pra casa. E esta façanha hercúlea cabia a mim.
Mulher madura, os filhos adultos, voltei outra vez ao convívio
com cachorro. Convívio esporádico, uma vez que Balli, uma cadelinha de
comportamento oposto ao do Jolie,
pertencia a meu filho. Ficava sob meus cuidados quando meu filho viajava e nas
férias, durante o veraneio na praia. Era dócil, carinhosa e muito tranquila.
Tanto o primeiro quanto a segunda, ao morrerem, deixaram
um vazio. Escrevi um pequeno conto pautado na morte do delirante Jolie. E no
momento aguardo a chegada de um novo livro infantil onde revivo passagens com
a cadelinha Balli.
Viajei nas lembranças justamente para anunciar o meu novo
livro que se encontra no prelo. Deve chegar
em breve “Um garoto bom pra cachorro” – história que narra as aventuras de um
garoto e os muitos cachorros – uma cachorrada – que o garoto tem a seus
cuidados.
Balli é a única fêmea entre os quatro cachorrões
machos. Mas não vai ficar a dever perante os machões.
E
João Vítor, o menino protagonista, vai encantar não só os cães a seu cuidado,
mas também os leitores.
E ensinar que tudo é possível
alcançar, desde que haja amor, paciência e dedicação aos animais.
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